segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Os Corvos Azuis


Um bando de crianças limpas e bem estudadas
Fugiram hj a tarde do Colégio Standart
Desceram pelo ralo do banheiro
Atravessaram s encanamentos dKondomínio
E desembocaram la na foz do morro
Feito fetos dLirio num mangue amniótico

Belos como carangueijos nômades
Belos como tubarões dsangue azulpacifico
Plásticos como bonecas multiraciais
Mais dispersos qe s anjos cibernetikos
Tao famintos qanto elétrons livres

Nenhum deus ou cientista estava la
Pra conferir méritos&métodos
As crianças fugiram - ninguém viu
O controle não sabe trafegar em Galaxysea
Não podem compreender a Tormenta
Nenhuma forma dPoder constrói baragens ali
E as crianças qe tanto amavam e cuidavam
Escaparam...

Sem paraqedas
Sem sexo
Sem identidade nem certidão de idade
Sem cordão umbilical
Sem sistema de segurança
Sem olhos&e sem linguas

Era tard demais
Pra dar conta ds corpos&almas
Daqeles qe já nasceram sem Historia

E até mesmo o burakonegro sentiu medo!


Crianças Selvagens

Karta a Kaim

 

Karo Kaim
Não temas
Vc mesmo escolheu o Kaminho
Teve a koragem
Aprendeu a andar deskalço
Olha como voa sua mente!
Mesmo qe lhe pese o sangue.
E não é qe vives todas as coisas?
Está em ti
o dia e a noite
Sabes levitar aprendeu a beber

Esqeça
Kaim

Não existe culpa nem perdão

Isso é coisa dos conceitos e trato dos sacerdotes
Mas vc qe konfrontou a vida e a morte sabe:
Existir é um jogo
O Universo - um tabuleiro
Não é deus qem lança os dados
É você qem cavoca a terra e semeia o vinho
&pão
É vc qe
se sabe cavalo e rei
E vc aprendeu a jogar bem cedo
Com a dúvida
E o blefe

Por acaso alguma vez acreditou de fato
Qe estava destinado a servir?
Pois toma mais um café com haxixe

pra qe não durmas nunca mais
Tu és Kaim
o teorema da parte maldita
Sem ti o mundo é árido e limpo demais
não funciona


Vc não carrega bandeiras nem evangelhos
Tem o korpo nu tatuado de vento
Não veio pra agradar deuses
Nem dizer a fé dos homens
?Vc perderia seu tempo sua vida
Toda a aventura do jogo
Pra organizar rebanhos
E escrever a História?
Esse ódio não deixará qe vc alce vôo!

Não é seu esse mundo
De medo e peças engrenadas
Não é seu esse horror ao kaos
Não é seu esse escudo que pesa
Essa montanha de regras
O trabalho, a lei, a economia...

És deserto

Amplitude
Nenhum Senhor mora em ti

O exílio é tua liberdade

\imagem> Neil Gaiman


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Meu batom navalha
Meus lábios de urânio
E todo esse amor&perigo qe guardo em mim
Transborda
Preciso cometer crimes ideológicos
Sabotar porta-aviões
Seduzir soldados distraídos
Sou dama d estrada – qem acompanha?
Peco se não pecar
Atravesso abismos como qem vadia a tarde toda
Tenho medo é de não amar
\Lady serial killer\

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Metasokraticas

Precizo viver tds as koisas 
Saber dtudo qe gira gera germina\qebra&sangra 
Posso amar tds os seres 
Kom seus tons dtarde vadia-laranja 
fumaca&meninos fugitivos 

Tenho korpolimpo 
mentefogo 
Koraçãomotor 
&“mãos d acelerar partículas” 

Não faço medida ds koisas: 
Komo ds banqetes\ 
mas respeito s Sertões&guardo meu apetite 

Eu pouso n pico ds vulcões 
Pra ver passar pterodáctilos enqanto caem impérios&máqinas agrícolas 

Sou fóton 
Brinko destar em qalqer espaçotempo 
Aprendi atravessar s paredes d EntreMundos 

Ouço os kantos doutros mundos 
E todos se parecem komigo 

Posso tambem amar as Koisas 
Tenho dedos de fibraótica 
Ávidos por amor 

Magdalena Volveryne 


Volveryne

quinta-feira, 31 de março de 2016

Os Dragões d Komodo
(p/ Carlos Moreira)

Os dragões d komodo dormem entre as tulipas
Sonham enqanto as palavras apodrecem
Infectadas dsuas salivas
(doces bactérias)
Uma gota desse secreto veneno
Basta praq as palavras paralisem

Os dragões dKomodo dormem entre s tulipas
É com as palavras qe eles sonham
Essa coisa língua qe os macacos nus inventaram
E deram nome á sua peqena ilha

Os dragões DKomodo fundaram ilhas de kaos
E agora podem kaminhar em qalqer lugar
Deixam rastro dsuas babas ns pontes
Por tods bilbiotekas&ruas&cafés
Acido sobre p@ginas
Carcomendo livros&teses
Sufocam s poetas bem vestidos
E os cavalheiros dTávola

Forma&fôrma se cofundem
E as palavras já não sabem o qe significam
Perdidas& confusas
paralisadas
São alvo fácil pros dragões
Qe as espreitam entre s tulipas selvagens

Os dragões dKomodo não juram vingança
Contra deuses ou astronautas
Não concebem estruturas&discursos
Eles apenas esperam
Qe as palavras não mais se movam
& as devoram
Uma a 1ma
Carcaças & karcaças
E dentro dseus estômagos
Elas voltam pra onde vieram
Ao Nada

Os dragões dKomodo tem fome
Deskonhecem o nome ds ilhas ds flores&bactérias
Por isso são livres
E senhores do próprio apetite.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Biblioteka Nômade Alexandrya


NOVÍSSIMO PROMETEU

Eu quis acender o espírito da vida,
Quis refundir meu próprio molde,
Quis conhecer a verdade dos seres, dos elementos;

Me rebelei contra Deus,
Contra o papa, os banqueiros, a escola antiga,
Contra minha família, contra meu amor,
Depois contra o trabalho,
Depois contra a preguiça,
Depois contra mim mesmo,
Contra minhas três dimensões.

Então o ditador do mundo
Mandou me prender no Pão de Açúcar:
Vem esquadrilhas de aviões
Bicar o meu pobre fígado.
Vomito bílis em quantidade,
Contemplo lá embaixo as filhas do mar
Vestidas de maiô, cantando sambas,
Vejo madrugadas e tardes nascerem
– Pureza e simplicidade da vida! –
Mas não posso pedir perdão.

Murilo Kid

Terroristas Iluminados


Murilo Kid entrou final d noite
no Kabaré
carregando 1m piano nas kostas
Pulou por uma das janelas d kaos
do Saloon Mosaiko
Pos o piano no centro d gravidade
debaixo do lustre d rosasneons

Pediu Licor-d-Antimatéria
tocou concentrado seu piano qantiko
na idéia d roubar musica ds esferas metafísikas
& outros truqes ds universos

13 anos
daqeles qe cedo fogem dEscola
segue o sertão
busca aventura&autoenfrentamento
obedece ao vigor d corpo
a disposiçao d alma
não fica pra ver os filmes
sua vida é o filme
qe esperam todos?
“Eu só vejo o céu pelo avesso”

Com seu piano qantiko
tocou selvagem
o sexo ds elétrons
Fez brotar 1m mundo
Botou flores&lagartos lá
Inventou meninas  orqestras&alfabetos
Deu d comer aos lobos
Adubou a terra com seu sêmen azul
Destilou vodka & fez chover fibras óticas

E qando todos nós estávamos deslumbrados
Um qantun embriagados
Com seu sorriso de menino maroto
Ele se pos a destruir tudo

Qebrou as ligações atômikas
Inverteu o propósito ds karbonos
Derreteu as moedas qe ele mesmo cunhou
Exilou os sacerdotes qe ousaram
dizer em seu nome
Jogou 1m cometa ns parlamentos
Esmagou seus exércitos
E estilhaçou o piano

Cada tecla
1ma borboleta
arrastando 1m terremoto

Depois dançou pelo salão
com seus inimigos imaginários
Riu de nosso espanto
Nos deu doces&travessuras
E antes de partir
Bem diante d nossas pupilas famintas
Segundos antes d mergulhar no burakonegro
Murilo Kid ainda psikografou:

“Eu existo pra assistir ao fim do mundo
Não há outro espetáculo que me invoque.
Eu preciso assistir ao fim do mundo
Para saber o que Deus quer comigo e com todos
E pra saciar minha sede de teatro.”